A torcida brasileira está entusiasmada com a inédita conquista de Tiago Fernandes, primeiro tenista sulamericano a vencer o Austrália Open. E tem que vibrar mesmo. Foi uma das maiores conquistas do tênis brasileiro.
Não se pode é cometer o erro de achar que o garoto está pronto. Vencer um torneio juvenil é importante para a seqüência da carreira, sem dúvida. Mas não é garantia de nada. Muitos tenistas talentosos ficaram pelo caminho na difícil transição do juvenil para os profissionais. Outros que não tiveram tanto destaque no início da carreira, evoluíram de tal forma que conquistaram importantes títulos jogando ATPs.
A diferença entre um atleta juvenil e um já profissional é muito mais a parte mental do que técnica. Ser consistente é o grande desafio para quem deseja obter sucesso em torneios da ATP, incluindo aí, os Grand Slams. É diferente você meter 10 Aces num atleta juvenil e a mesma quantidade no profissional. Você pega um Karlovic pela frente, mete uma pedrada e recebe um tijolo de cimento de volta. E aí, o que você faz?
As variações de jogo e o ritmo são muito mais intensos. Por esta razão é muito importante ser consistente. O maior problema dos tenistas brasileiros, os bons e novos que estão aparecendo, é este. Outro dia, o Feijão empatava em 4 a 4 e meteu 0-40 no nono game do terceiro set. Triplo Set point. Tinha três oportunidades para quebrar o saque de seu adversário e sacar para o jogo. O que aconteceu? Não obteve a quebra, ficou pensando nela e perdeu o set seguinte e o jogo. O que faltou? Consistência. Física e mental. Viu a chance de vencer e saiu do jogo. Quem pensa na vitória na hora de fechar, invariavelmente acaba derrotado.
O grande André Agassi, para mim o maior de todos os tempos, quando perdia um smash, sozinho, facinho, na rede, virava as costas, caminhava até o fundo da quadra e ficava se balançando, para um lado e para o outro, esperando o próximo saque de seu adversário, como se nada tivesse acontecido. Tinha uma força mental enorme. Passava o problema para o adversário. Ao invés de ficar pensando na bola perdida, já se concentrava para planejar o que faria na bola seguinte. Enquanto isso, um adversário menos experiente, ao invés de comemorar o ponto, pensava: “Como é que esse cara me erra um smash desse e volta para o seu campo como se nada tivesse acontecido”.
Vale ao Tiago Fernandes e aos demais tenistas da nova geração do tênis brasileiro, muito promissora por sinal, pensar sobre isso. Não basta colocar 18 aces na quadra. É preciso saber que se nos 18 a bola voltar, o jogo vai continuar.


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