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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Lições de Acapulco

A FESTA VAI COMEÇAR

Agora que o ano começa a esquentar já podemos ter uma idéia mais próxima da realidade de como será a temporada de 2010. O divisor de águas foi esta semana, com a finalização dos torneios de Dubai, Delray Beach e Acapulco. Isto porque iremos entrar na temporada do saibro europeu e das quadras duras americanos, onde terá início os ATPs 1000, antigos Masters Series.

Até o momento podemos dizer que os jogadores estavam no "esquenta". A temporada começa mesmo com os torneios de Indian Wells e Miam e encerra a "primeira perna" da temporada com o Grand Slans de Paris, Roland Garros. Antes, ainda teremos Monte Carlo, Roma e o ATP 500 de Barcelona. É uma série de torneios muito forte que contam ainda com o Houston e Casablanca, ATPs 250 mas que costumam atrair os melhores jogadores do mundo.

Arrisco a dizer que esse é o principal período do tênis mundial. De agora até o início de junho estão os melhores torneios da temporada, com muitos pontos em jogo e que certamente define se a temporada será boa ou ruim para o atleta.

É aí que o tênis de Tomaz Bellucci será colocado em xeque. Sem grandes somas de pontos a defender, o atleta do Tiete, precisa fazer boa campanha nesses torneios para provar para si mesmo e para o mundo que veio para ficar entre os 30 melhores jogadores do mundo.

Pelo que vi nesse início de temporada, a carreira de Bellucci é promissora. Não sei se chegará ao topo, onde esteve apenas um brasileiro em toda a história: Gustavo Kuerten. Mas, sei que ele tem tênis para estar ali, brigando e quem sabe, amadurecendo, pode sim chegar lá.

Por ora, Acapulco ensinou-me pelo menos duas lições. A primeira é que no tênis moderno, e principalmente, no tênis de Bellucci, não se pode desprezar o poder do saque. Enquanto ele funcionou, até agora na temporada, Bellucci arrasou. Ganhou de jogadores melhores ranqueados e esteve sempre entre os quatro melhores dos torneios.

Mas Acapulco mostrou que o poder de fogo de Bellucci cai vertiginosamente com a queda de efeciência de seu saque. O brasileiro precisa achar uma saída para quando o saque potente não entrar. O seu segundo saque é deficiente e sem a potência necessária. O segundo saque também é lastimável. Bellucci precisa entender que quando a força não funciona, tem que ser no jeito.

Porém, para os mais afoitos, Acapulco mostrou também que Bellucci não cai mais diante de qualquer um. Apesar de ser o 17º do mundo, Ferrer mostrou porque já foi Top 10 e conquistou, com muita propriedade, jogando um tênis impecável, o torneio onde havia derrubado o brasileiro na segunda rodada. Uma vez mais, Bellucci , como havia acontecido diante de Ferrero, perdeu para o campeão. Isto sim tem sido significativo na temporada do brasileiro até o momento. Ou ganha o torneio ou perde para o campeão, o que demonstra que seu tênis é de qualidade e está em evolução. Lições de Acapulco.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Bellucci e Mello vencem e garantem o Brasil nas semi-finais do Sauípe

Foram duas vitórias até certo ponto tranquilas. Ricardo Mello e Tomaz Bellucci venceram respectivamente Trevor-Gimeno das Espanha e Victor Hanesco da Romênia por 2 sets a 0 e garantiram uma vaga brasileira nas semi-finais do Brasil Open 2010. Os dois tenistas se enfrentam pelas quartas-de-finais ainda hoje, por volta das 21 horas e o vencedor passa às semi-finais de amanhã.


Dessa forma, qualquer um dos dois que passar já representará um grande resultado individual e para o país. Bellucci já defende parte dos pontos obtidos com o vice-campeonato do ano passado, enquanto Mello -atinge pela primeira vez em cinco anos as quartas-de-finais de um ATP - soma pontos importantes e deve se aproximar dos Top 100 no ranking a ser divulgado na próxima segunda-feira

O Brasil contou com 7 tenistas na edição deste ano do ATP brasileiro, cinco caíram ainda na primeira rodada. Destes, o destaque fica por conta de João Souza, o Feijão, que teve oportunidades de vitórias nos dois sets perdidos para Hanesco e poderia ter enfrentado Mello na partida de hoje.

Mas o país continua fazendo um grande começo de ano e acredito que Bellucci vence Mello e na sequencia Andreev, para disputar mais uma final de ATP.

Henrique Galvão

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Começo de ano animador!!!!

O segundo título em torneio de primeira linha conquistado por Bellucci, no último final de semana, só vem confirmar o momento interessante pelo qual passa o tênis brasileiro. Afora ter um tenista entre os 30 melhores do mundo, algo que não acontecia já há quase dez anos, temos velhos e novos jogadores dando trabalho aos melhores tenistas do mundo. Mas o que mudou no Brasil? É coincidência ou isso tem a ver com o “efeito Guga” que só agora começa a dar seus frutos.


Fico com a segunda opção. Nunca se fez uma preparação de atletas do tênis brasileiro tão adequada quanto se tem feito hoje. O resultado tem aparecido não apenas com jovens promessas como Tiago Fernandes, campeão juvenil do Australian Open e Guilherme Clesar, quadri-finalista em Roland Garros, como também em quase veteranos como Ricardo Mello.

O campineiro, que já foi número 50 do mundo, está em excelente forma, graças à preparação que vem executando com o pessoal da Estação Fit. Os resultado até o momento são animadores. Mello chegou às quartas de finais no Challenger de Bucaramanga na Colômbia e em Santiago venceu o Uruguaio Pablo Cuevas, número 47 do mundo, ante de cair diante de Albert Martin nas oitavas. Agora, no Sauípe, já despachou na primeira rodado o italiano Paolo Lorenzi, 89 do mundo, por 2 sets a zero, parciais de 6/2 e 7/5. Ou seja, nos três torneios jogados em 2010, Mello venceu pelo menos 1 tenista colocado entre os 100 primeiro do ranking.

Feijão, 21 anos, é outro atleta que vem crescendo muito. Orientado em Santiago por João Zwetsch, técnico de Thomaz Bellucci , foi até às semi-finais e alcançou o melhor ranking de sua curta carreira, 155 do mundo. Esta semana ele também está no Sauípe e tem chumbo grosso pela frente, encara na estréia o romeno Victor Hanescu, cabeça 5. Nada que assuste. Feijão eliminou na estréia, semana passada, o alemão Simon Greul, cabeça 7.

Para completar o quadro positivo, Rogério Dutra e Silva passou o quali e é o sétimo brasileiro no Brasil Open, algo que não acontecia desde 2003. Ficamos aqui na torcida por nossos brazucas nesta semana que promete muitas emoções para a torcida brasileira.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Feijão Maravilha!!!!

O brasileiro João Souza fez  história na tarde desta sexta-feira. Saído do Quali, o tenista  de  21 anos garantiu vaga  no forte  ATP 250 de Santiago  ao derrotar o Espanhol  Albert Martin por fácies 2  sets  a 0, parciais  de  6/2 e 6/4.

Em seu primeiro torneio ATP,  o tenista  já alcança  o  melhor  resultado na carreira e deve  ultrapassar a barreira  dos  Top 150 no ranking da  próxima semana, disparado sua melhor  colocação.

Firme no saque e demonstrando personalizade nas devoluções, o  brasileiro  abusou das  bolas  longas e anguladas,  encurralando o seu oponente no fundo de  quadra. Com duas quebras no primeiro set, Feijão chegou facilmente aos  4 a  0  e poderia ter  dado um pneu (6 a 0) não fosse  a  qualidade  de  Martin que soube reverter  uma desvantagem de  30 a 40 a favor  do brasileiro no 5º game  do  primeiro set.

No segundo set, Feijão  abriu logo uma quebra de  vantagem, mas acabou cedendo o  empate  no sexto game.  No 9º  game,  nova quebra  a favor do brasileiro  que dessa vez  teve  calma  o suficiente  para  resistir á  pressão em ter que fechar o jogo. Com 2 aces, o brasileiro acabou de vez com a marra do espanhol que já  havia tirado dois brasileiros do torneio, Marcos  Daniel e Ricardo Mello.

Feijão aguarda agora  seu adversário das semi-finais que sai do confronto  entre o cabeça  2 do torneio, Juan Mônaco e  Peter  Luczak.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Bellucci vence e se junta à Feijão nas quartas em Santiago

O Brasileiro Thomaz Bellucci fez o que se espera de um tenista em ascensão e passou às quartas de finais do ATP 250 de Santiago, no Chile. Na madrugada desta sexta-feira, o número 35 do mundo teve que suar bastante a camisa para derrotar o tenista da casa Paul Capdeville por 2 sets a 1, parciais de 5/7, 6/4 e 7/5 após quase três horas de jogo.

O Brasileiro mostrou grande concentração e poder de reação, após estar em desvantagem de 3 games a 1 no set decisivo. No décimo game, Capdeville ainda salvou mais de 5 break point para se segurar na partida. Mas após uma série de bons saques de Bellucci, o chileno - que caiu muito no ranking nos últimos meses em virtude de uma séria contusão nas costas - não resistiu à pressão no 12º game e acabou cedendo a quebra decisiva.

Bellucci segue vivo no torneio e aproxima-se ainda mais da posição de Top 30 do rqanking mundial. Para isso precisa ao menos do vice-campeonato. Ainda nesta sexta, o brasileiro volta à quadra ao lado de feijão para tentar uma vaga nas semi-finais de sábado.

As primeiras semanas de torneios em 2010 tem sido bastante animadoras para o tênis brasileiro. Após realizar boa campanha na Oceania, Bellucci chega aí a mais uma vitória em torneios de primeira linha, trazendo a reboque outra grande promessa do tênis brasileiro: João Souza, o Feijão. Um esquenta para , quem sabe, uma semana inesquecível no Sauípe.

Abraços a todos e continuem bem informados sobre tudo o que acontece no tênis brasileiro aqui no Top Tênis Brasil.

Henrique Galvão

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Faltou tranquilidade!!!

Marcos Daniel perdeu novamente na primeira rodada de um torneio ATP. Desta vez, na estréia do Torneio de Santiago, início da turnê sulamericana de saibro. A derrota foi para o espanhol Albert Martin, 129 do mundo, de virada, 2 sets a 1, parciais de 6/7 (5/7), 7/5 e 6/4.

Muito irregular na partida, Daniel sempre esteve atrás no placar. Mesmo no primeiro set, quando saiu vitorioso, o brasileiro teve que buscar uma desvantagem. No segundo set teve a chance de liguidar a partida, quando após devolver uma quebra, abriu 5 a 4, mais viu seu oponente, firme no saque, confirmar o seu serviço e depois pressioná-lo de forma a obter nova quebra e igualar o placar na partida. O terceiro set foi uma repetição dos anteriores. Marcos Daniel tomou a quebra logo no início da disputa, só que desta vez não teve forças para buscar a igualdade e acabou eliminado.

Sorte para o brasileiro que não defende pontos nesta semana e pode assim manter o 89º posto do ranking. O próximo compromisso do atleta será no Sauípe, o único ATP jogado no Brasil. Mas, se quiser ter resutado em seu país, Daniel precisa dar mais estabilidade a seu jogo. O incidente na Austrália, em que foi acusado de agradir uma espectadora, reflete o momento tenso em que passa o jogador em sua carreira. Daniel precisa parar, colocar a cabeça no lugar, respirar fundo, se concentrar e ir em frente. Tênis, o garoto de 31 anos já mostrou que tem, falta buscar concentração e elevar o nível de seu jogo. Quando fez isso, na partida de ontem, mostrou porque está entre os 100 melhores. Mas quando pensou em algo que não era o jogo, sentiu que no nível dos torneios que está jogando, ou se está inteiro, ou cai fora.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Muita calma nessa hora!


A torcida brasileira está entusiasmada com a inédita conquista de Tiago Fernandes, primeiro tenista sulamericano a vencer o Austrália Open. E tem que vibrar mesmo. Foi uma das maiores conquistas do tênis brasileiro.

Não se pode é cometer o erro de achar que o garoto está pronto. Vencer um torneio juvenil é importante para a seqüência da carreira, sem dúvida. Mas não é garantia de nada. Muitos tenistas talentosos ficaram pelo caminho na difícil transição do juvenil para os profissionais. Outros que não tiveram tanto destaque no início da carreira, evoluíram de tal forma que conquistaram importantes títulos jogando ATPs.

A diferença entre um atleta juvenil e um já profissional é muito mais a parte mental do que técnica. Ser consistente é o grande desafio para quem deseja obter sucesso em torneios da ATP, incluindo aí, os Grand Slams. É diferente você meter 10 Aces num atleta juvenil e a mesma quantidade no profissional. Você pega um Karlovic pela frente, mete uma pedrada e recebe um tijolo de cimento de volta. E aí, o que você faz?

As variações de jogo e o ritmo são muito mais intensos. Por esta razão é muito importante ser consistente. O maior problema dos tenistas brasileiros, os bons e novos que estão aparecendo, é este. Outro dia, o Feijão empatava em 4 a 4 e meteu 0-40 no nono game do terceiro set. Triplo Set point. Tinha três oportunidades para quebrar o saque de seu adversário e sacar para o jogo. O que aconteceu? Não obteve a quebra, ficou pensando nela e perdeu o set seguinte e o jogo. O que faltou? Consistência. Física e mental. Viu a chance de vencer e saiu do jogo. Quem pensa na vitória na hora de fechar, invariavelmente acaba derrotado.

O grande André Agassi, para mim o maior de todos os tempos, quando perdia um smash, sozinho, facinho, na rede, virava as costas, caminhava até o fundo da quadra e ficava se balançando, para um lado e para o outro, esperando o próximo saque de seu adversário, como se nada tivesse acontecido. Tinha uma força mental enorme. Passava o problema para o adversário. Ao invés de ficar pensando na bola perdida, já se concentrava para planejar o que faria na bola seguinte. Enquanto isso, um adversário menos experiente, ao invés de comemorar o ponto, pensava: “Como é que esse cara me erra um smash desse e volta para o seu campo como se nada tivesse acontecido”.

Vale ao Tiago Fernandes e aos demais tenistas da nova geração do tênis brasileiro, muito promissora por sinal, pensar sobre isso. Não basta colocar 18 aces na quadra. É preciso saber que se nos 18 a bola voltar, o jogo vai continuar.